terça-feira, 26 de abril de 2016


Olá pessoal, tudo bem?
Falaremos sobre o sétimo álbum da linha “Terra Um” (3 do Superman, 2 do Batman e um dos Titãs).

Desde que Grant Morrison (LJA, Homem Animal) havia sido anunciado como o escritor desta nova leitura da personagem, a indústria ficou em polvorosa.

Ainda mais porque o escritor disse que havia muitas facetas pouco exploradas de sua origem que foram esquecidas e esmaecidas com o tempo. (principalmente algumas questões sexuais.)

Grant Morrison tentou reimaginar como seria crescer numa civilização avançadíssima de mulheres, como festejariam? Como se portam? Como elas namoram?


Esta HQ teve o acréscimo do fantástico desenhista Yanick Paquette (Batman Inc.) que tem uma pegada meio “Adam Hughes” (mas mais solto. Não tão fotográfico).

Desde a “Crise Final” (2008) que Grant Morrison se manifestava dizendo que o desenho em uma HQ deveria interagir ainda mais com o leitor. Ser parte integrante maior em uma história.

Graficamente falando, em todo o álbum temos “bordas trabalhadas”, ou seja em vez de termos os painéis comuns (retos) temos diagramações mais variadas possível. Seja em formato de cordas (o laço da Mulher Maravilha “segurando a narrativa”) ou quadros em forma do emblema de águia da MM ou até mesmo painéis com estrelas.

Apesar de que em quadrinhos não termos elementos auditivos, estas “bordas” acabam dando tom á algo que esteja ocorrendo ou prenunciando algo que ainda irá acontecer na história.

Spoiler leve: quando Medusa é introduzida na história toda a borda da página parecem peles de serpente espalhadas. (quase como se sentíssemos o cheiro de podre ou ouvíssemos o sibilo de suas serpentes de seu cabelo).

Sobre elementos visuais (ainda) temos páginas fantásticas no melhor estilo Jack Kirby (combinando beleza de paisagens e também tecnologias incríveis) e claro as personagens estão lindamente desenhadas.

Eu explico: anos atrás quando houve o livro de Frederic Wertham “Sedução do Inocente” as hqs da Mulher Maravilha foram questionadas do porque as posições “eróticas” ou de “submissão”.

Nesta HQ como “volta ás origens” também temos posições e sugestões altamente eróticas mas não como HQs dos anos 90. (mulheres dando voadoras sempre do mesmo jeito e todas com hiperlordose), nesta HQ os desenhos são pensados pra que reflitamos; elas são uma raça de guerreiras que não conhecem gordura, celulite, internet, vícios... etc.

São uma comunidade que nunca houve interferência externa.
São derivadas dos costumes Greco-Romanos (se é que vocês me entendem.)

Eu gostaria mesmo de ler uma resenha desta HQ do ponto de vista de uma leitora. (quem quer que seja) apesar de ter muitos elementos retirados de ideias feministas, nesta história é tudo muito orgânico, tudo funciona pra história. 

O modo como Diana contempla o “mundo do patriarcado” é uma crítica de certa forma á muitos costumes.

O feminismo nesta HQ não é mostrado como algo doutrinatório ou panfletário (como feito na Mini da Viúva Negra de anos atrás desenhada por Bill Sienkiewicz).

Aqui o feminismo (assim como as próprias mulheres e homens) são apenas mais “alguma coisa” dentre tantas que existem no mundo.
A história começa impactante: Hipólita tem uma confrontação com o arrogante semideus Hércules e deste confronto as Amazonas juram nunca mais pisar em nossas cidades e se isolam da Ilha Paraíso.

3.000 anos depois a princesa Diana, irrequieta com a beleza e paz de seu mundo acaba encontrando o piloto de testes Steve Trevor o que desencadeia uma explosão/discussão na Ilha: deve-se ir ao mundo dos homens? Deve-se fazer algo pra melhorar o mundo todo?

Grant Morrison não tem medo de ousar. Ele é o cara, num momento Diana entra numa ala hospitalar de pessoas desenganadas (possivelmente fosse área de Câncer) e fica triste por haver mulheres (pessoas) morrendo. Definhando e tristes, independente de não serem do mesmo mundo ela se importa com seus “irmãos distantes”.

Essa HQ traz muita discussão rica sobre diversos elementos. A própria troca de etnia de Steve Trevor nesta HQ tem uma função bem importante e satisfatória. Como eu disse antes. Nada aqui é “alegoria pra chamar leitor e vender apenas” tudo tem uma razão.

Eu como homem, gostei do que li. Acredito que eles tenham acertado na releitura. Espero ver discussões acerca desse material e espero que Morrison produza mais desse material.


Uma história pode ser bem escrita e te deixar intrigado sem ter ação. Apenas com diálogos críveis. (mas a história tem ação sim amigos. Rsrs..)

Muitas celebridades/personagens são homenageadas durante a HQ, (repare nos figurinos das diversas amazonas da HQ, tem uniforme de Tróia, Moça Maravilha, Phillyphus, Ártemis da fase de Mike Deodato...) Interessante que ás vezes Hipólita tem o rosto de Cher, ou da atriz Lena Headey.


A própria Mulher Maravilha ora tem o rosto desenhado como Emily Clarke (preste atenção em sorrisos) e também como (é provocação dos autores, só pode) Sasha Grey!!!!

Mulher Maravilha teve seu legado respeitado, Greg Rucka, George Pérez, Brian Azzarello, Jonh Byrne podem ficar tranquilos que Morrison honrou o que veio antes e nos deixa ansiosos pra ver o que virá.
Nota: 9.













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