domingo, 30 de outubro de 2016


Não ficarei com rodeios e logo de cara faço a seguinte pergunta: Está ou não na hora de Bruce Wayne pendurar os batarangs e passar adiante o manto do morcego para que um novo rosto se oculte por debaixo do capuz?

A DC Comics já fez tantas alterações em seu universo que há tempos eu me pergunto como tantos personagens humanos podem ter permanecido fisicamente inalterados durante décadas. Sinceramente eu não sei como isso possa vir a ser explicado. Convenhamos, pegando por base os Novos 52, as únicas cronologias não alteradas – ou que tiveram alterações pouco significativas – foram as de Lanterna Verde e Batman. Pois então, apesar de Bruce Wayne ter vivido o Pós-Crise, os Novos 52, ele consegue chegar ainda jovem, forte e viril a esta nova fase de renascimento, o Rebirth. Eu sinceramente, apesar de ser fã número um do vigilante de Gothan, não aguento mais esta loucura cronológica da DC para desesperadamente manter Bruce Wayne como um Batman atuante. Eu li toda a fase em que Dick assumiu o posto e digo que Bruce Wayne não me fez falta, até porque a sua maior premissa é a de que Batman seja um ideal, quer dizer, ele pode ser qualquer um. Outro exemplo? Batman do Futuro, eu particularmente adoro Terry McGinnis, bem como o papel desenvolvido por Bruce Wayne, praticamente o de Pennyworth. O fato é que com tantas idas e vindas, acredito que o Sr. Wayne já deveria ter passado a bola e se tornado o técnico do time, entretanto, há fortes indicativos de que isso possa vir a ocorrer e num futuro não tão distante. Entretanto, eu sinto em desapontar aqueles que aguardam Dick Grayson, Jason Todd, Tim Drake ou Damian Wayne por debaixo da máscara, pois o Batman do futuro é negro e nunca vestiu o manto de Robin.


Para quem nunca ouviu falar do personagem, Duke Thomas teve o seu primeiro contato com Batman na fase que ficou conhecida como ANO ZERO. Na ocasião, a família do garoto resgatou Bruce Wayne da fúria de um furacão que assolou Gothan City. Anos mais tarde, Batman resgatou o jovem na saga END GAME, quando Coringa armou uma armadilha para recriar o episódio da morte de seus pais, Thomas e Martha Wayne. Como consequência direta dos eventos desencadeados pelo palhaço, um grupo de corajosos combatentes foi criado – NÓS SOMOS ROBIN – do qual Duke foi integrante. A questão fundamental é que em Rebirth, quando convocado por Batman, o rapaz diz não estar interessado em ser Robin, oportunidade em que o vigilante calmamente declara o seu verdadeiro propósito, ele não busca um Robin, mas sim um discípulo, sendo naquele momento revelado um traje que, embora diferenciado, carrega um belo morcego no peito.


Como eu disse, há tempos aguardo a saída de Bruce Wayne das ruas de Gothan e sinceramente não vejo como isso poderia ocorrer de maneira mais fantástica do que esta que está em andamento e com grande maestria, diga-se de passagem. Cada um dos Robins construíram seus próprios caminhos e desenvolveram identidades próprias – Asa Noturna, Capuz Vermelho e Robin Vermelho – , isto não será diferente com Damian, aliás esta emancipação já está em andamento no Rebirth, assim sendo, não encontro nexo na ideia de algum deles vir a assumir o manto, pois sejamos realistas, seria um retrocesso em suas carreiras. Então qual a solução encontrada pela editora para que não percamos estes adoráveis personagens que um dia já levaram o tão famoso “R” em seus peitos e que ficariam de fora do universo caso assumissem a identidade do morcego? Simples, arrumemos um rapaz que será acolhido e treinado para o fim específico de suceder Bruce Wayne no combate corpo a corpo pelas ruas sombrias da cidade.

Duke Thomas é um personagem muito interessante e bastante complexo. Para não dizer que ele nunca foi um Robin – levem em consideração que sua atuação em NÓS SOMOS ROBIN foi uma atividade não sancionada e, portanto, não oficial – , na saga BATMAN FIM DOS TEMPOS, com a morte de Damian Wayne, o rapaz assumiu o seu lugar, mas isso não dá nem para ser levado em consideração por se tratar de um arco especial.



Caros leitores, para terminar, confesso estar muito satisfeito com este Batman em potencial. Estou satisfeito com a construção desta provável sucessão, principalmente por estarmos diante de um sucessor negro. Apesar de ser um tema polêmico, digo com todas as letras que esta é a forma correta de se inserir as classes sociais minoritárias no universo dos quadrinhos, ou seja, através da criação de novos personagens, resguardando o clássico ao mesmo tempo em que se cria o novo. Espetacular, principalmente quando se trata de personagens interessantíssimos e bastante promissores, como é o caso de Duke Thomas. Enfim, aguardemos o desenrolar de Rebirth.

Autor: JF Macedo (Kiko)

Gostou? Curta nossa fanpage!

0 comentários :