terça-feira, 8 de novembro de 2016




Quem é Damian Wyane?

A resposta para esta pergunta está no ano de 1994.

Criado por Karl Kesel e Tom Grummett, o Superboy apareceu pela primeira vez – ao menos esta versão do personagem – no arco “O retorno do Super-Homem”.

Nascido nos laboratórios do Projeto Cadmus, o garoto conquistou não só os céus de Metrópoles, como também as páginas da série. Sua aceitação foi tão gloriosa, que ainda naquele ano, a DC lançou o título solo do herói.

Diferentemente de seus antecessores – Superboy Pré-Crise e Superboy Prime – que retrataram o início da carreira do Super-Homem ainda em sua adolescência – carreira muito mais que heroica, diga-se de passagem – , este irreverente rapaz jamais foi SUPERBOY, ele nasceu SUPERMAN.

Com a morte do herói, vários foram os que se apresentaram como seus substitutos, seja por motivações egoístas, como foi para Luthor, Projeto Cadmus e Henshaw, ou por estímulos altruístas, como demonstrou Aço e até mesmo o próprio Erradicador, mas o fato é que independentemente de seus reais objetivos, todos eles, ainda que momentaneamente, acabaram por aplacar a ferida aberta e dar, tanto aos personagens da série, como também aos seus leitores, a ideia de que um novo amanhã era plenamente possível.

Em posse do DNA Kryptoniano extraído do corpo do Superman, o Projeto Cadmus, sob a ordem e supervisão de seu coordenador, Westfield, deu início a um processo de clonagem do herói, o qual, entretanto, foi precocemente interrompido pela legião jovem, trazendo então à vida um Super-Homem adolescente, com 16 (dezesseis) anos de idade.


Eu sou SUPERMAN!

Tal sentença, para o desencanto do jovem, não durou muito tempo.

Encucado com o quê ou quem de fato seria o rapaz, o já restabelecido Super-Homem, garantindo a sua segurança, convenceu o garoto a acompanhá-los – Superman e Harper, mais conhecido como Guardião, enviado a princípio para a sua captura, sob ordens diretas de Westfield – até os laboratórios do Projeto Cadmus com o objetivo único e exclusivo de encontrar respostas às suas perguntas. E de fato encontrou: o menino nunca foi seu clone.

“Eu sou clone do Super-Homem! Tenho de ser! Eu... eu posso voar! Tenho superforça! Balas não me machucam...”, disse Superboy. “É verdade, mas não tem superaudição, nem os poderes visuais...”, disse o cientista. (Superboy #1)

O fato é que as técnicas de clonagem terráqueas eram inúteis em organismos alienígenas. Todavia, o campo telecinético descoberto ao redor do corpo do herói, aliado a um clone geneticamente modificado para apresentar suas características físicas, foi a combinação perfeita para que se obtivesse a mais fiel cópia do samaritano, e a partir daí, Super-Homem renasceu.


Apesar de ser um excelente garoto, Metrópoles era uma cidade pequena demais para a atuação de dois heróis, razão pela qual Super-Homem sugeriu ao guri que procurasse lugares onde seus poderes fossem de fato necessários, mas daquela hora em diante, como Superboy, pois afinal de contas, havia apenas um Superman.

Foi então que, para o desagrado do agente Makoa, Superboy fixou residência no Havaí.


O herói mirim passou por diversas modificações ao longo dos anos. Recebeu a identidade secreta de Conner Kent, primo de Clark Kent. Ganhou um nome kryptoniano: Kon-El. Encarou a morte de sua primeira namorada, Tana Moon. Fundou a Justiça Jovem ao lado de Robin Vermelho e Impulso. Desenvolveu novos poderes – lembrando que no início de sua carreira, seus poderes visuais advinham dos óculos que lhe foram exclusivamente produzidos pelo Professor Hamilton. Descobriu que 50% de sua estrutura genética pertencia a Lex Luthor. Morreu em Crise Infinita. E por fim, ressuscitou – crédito à Legião dos Super-Heróis.

Em sua cronologia, principalmente após a morte de Tana Moon, é nítida a mudança do personagem no que diz respeito a sua maturidade. Ele foi aos poucos deixando de ser aquele guri atrevido, brincalhão e até mesmo irresponsável. A mudança de seu uniforme também foi marcando ponto no decorrer deste processo. Há muito tempo de sua morte, Superboy já se havia isolado na fazenda dos Kent.


Tudo bem, mas aí o leitor pergunta: O que tudo isso tem a ver com Damian Wayne?

A resposta para esta pergunta está na mente de um certo escocês.

GRANT MORRISON

A primeira aparição do filho do Batman foi no ano de 1987, no arco intitulado “Son Of The Demon” ou “Batman – O Filho do Demônio”, como foi chamado aqui no Brasil.

No final deste arco, o filho do morcego acabou sendo entregue para adoção e nada mais foi falado até o momento em que Morrison, aproveitando o gancho deixado pelo argumentista Mike Barr, criou Damian Wayne.


Notem que o nome do garoto é uma clara referência ao título da primeira obra em que foi citado: “Son Of The DEMON” – “DAMIAN”.

Tanto faz sentido – agora viajando um pouco na maionese – que no filme “A Profecia”, o nome do garoto retratado como o anticristo era DAMIEN, ou seja, Damian, Damien, Demon, Demônio, tem tudo a ver.

É inegável que grandes escritores, ainda que inovem em certos pontos, buscam inspiração em seus companheiros de teclado – de pena, como se dizia antigamente – e que por vezes, tal inspiração, ultrapassa todos limites e acaba por se transformar em uma nova roupagem, por assim dizer, da ideia, do personagem, enfim, daquilo que foi buscado como referência. Com Morrison aconteceu exatamente isto quando resolveu criar esta nova versão do menino prodígio.

É inegável que Damian Wayne é a “reencarnação” do Superboy da década de noventa.


Assim como Superboy foi criado em laboratório para substituir Superman, Damian Wayne foi igualmente criado em laboratório para substituir Batman;

Da mesma forma que Superboy não admitia ser assim chamado no início de sua carreira, autoproclamando-se Superman, Damian Wayne autoproclamou-se o legítimo herdeiro do manto do morcego, chegando a quase matar Tim Drake;

Assim como Superboy, Damian Wayne agia como um anti-herói mimado, desobediente, agressivo, impulsivo, dotado de um humor ácido e totalmente irresponsável;

Da mesma maneira que Superboy inovou o visual dos quadrinhos com seu uniforme irreverente, Damian Wayne trouxe uma nova roupagem para o Robin, a começar pelo capuz que tanto adora;

Assim como o cão Krypto foi por Bibbo enviado ao Havaí para junto do Superboy, Damian Wayne resgatou um cachorro, uma vaca e foi por Alfred agraciado com um gato;

Da mesma forma que Dubbilex e Tana Moon foram importantíssimos para o amadurecimento de Superboy,  Alfred e Dick Grayson tiveram o mesmo papel na vida de Damian Wayne;

Para acabar – e esta é de matar – , assim como Superboy foi morto por um outro Superboy – Superboy Prime – , Damian Wayne foi morto por outro Damian Wayne – O Herege.


E não acaba por aí!

Marc Andreyko, deu continuidade às “referências” de Morrison, e assim como Superboy, Damian Wayne ressuscitou. Aliás, não só ressuscitou, Peter Tomasi encarregou-se de dar superpoderes ao herói mirim. Ainda que por pouco tempo, Robin voou, teve superforça, invulnerabilidade, assim como Superboy.

Há quem diga que Damian Wayne foi inspirado na personalidade arredia de Jason Todd, entretanto, do ponto de vista deste escritor, é irrefutável que Grant Morrison era um imenso fã do Superboy da década de 90 (noventa) e que na primeira oportunidade, reviveu o herói, todavia, com a identidade de Robin.

A RECEPÇÃO DO NOVO ROBIN

A nova roupagem atribuída ao parceiro mirim do Batman não foi unânime, a bem da verdade, a opinião sobre quem foi o melhor Robin é muito dividida.

Alguns preferem as habilidades e o jeito descontraído de Dick Grayson. Outros a pancadaria de Jason Todd. Alguns idolatram Tim Drake, afirmando que dos Robins, ele é o que mais se assemelha ao Batman quando levadas em consideração suas qualidades de detetive. A questão é que muitos (arriscaria dizer que a maioria dos fãs) detestam Damian Wayne, não por sua origem, mas sim por sua personalidade, por seu ego inflado.

O fato é que os tempos de outrora nunca mais retornam. Aquele menino superpoderoso da década de 90, que agradou as crianças e os adolescentes da época, pode não ser a melhor visão de herói para a juventude de hoje. A mim – e aí deixo a minha opinião – , esta nova versão me remete aos tempos de criança, em que Superboy representava tudo aquilo que eu queria ser: poderoso, descolado, independente e tudo isso, com apenas 16 anos de idade.

CURIOSIDADES

Após a morte do Super-Homem, Superman passou a ser uma marca registrada de propriedade da Rex Leech Empreendimento. Após o seu regresso, o Homem de Aço, com a condição de que metade das rendas fossem doadas à caridade, permitiu que os Leech continuassem a deter a marca, impondo, ainda como condição, que seu “clone” passasse a utilizar o nome de Superboy.


Voltando às influências de Grant Morrison, outro fato que corrobora o que foi aqui escrito, é a ideia chave de seu último grande arco da DC Comics, no Brasil intitulado “Multiverso”. Em sua obra, que na verdade é uma conclusão daquilo que ele veio desenvolvendo ao longo de seus trabalhos para a editora, muito antes de “Crise Final”, inclusive, o escocês afirma serem as revistas em quadrinhos realidades paralelas, ou seja, que todos os personagens, lugares, cotidiano, enfim, que tudo ali escrito e desenhado representa a existência real de um outro universo. Pois bem, adivinhe o leitor onde esta ideia foi pela primeira vez cogitada? Exatamente isso, nas mensais da revista de aço do Superboy, no arco “Quando Mundos Colidem”. Coincidência?!


Outra coisa interessante, é que apesar de Superboy biologicamente possuir 16 anos de idade, quando de sua criação, o herói possuía uma idade mental muito inferior, podendo-se comparar com a de Damian Wayne quando introduzido no universo da DC.

Os poderes do Superboy provinham de sua “telecinésia táctil”. Outros poderes similares ao de Superman foram incorporados ao personagem muito tempo depois sob o pretexto de que seus genes kryptonianos ficaram saturados da radiação do nosso sol amarelo.

Como grande fã de Kick Ass, sinto a obrigação de dizer que Hit Girl, ao menos para mim, é a versão feminina de Damian Wayne.


O FUTURO DO MENINO PRODÍGIO


De fato, a fase pré-rebirth trouxe muitas coisas legais sobre o Robin em si, como por exemplo o arco “Nós Somos Robin”, mas a questão é que muitas coisas novas serão trazidas pelo Universo Rebirth e Damian Wayne, personagem relativamente novo, sofrerá inúmeras mudanças e quem sabe, caia finalmente na graça da maioria dos fãs de quadrinhos.

Será? (risos)


Autor: JF Macedo (Kiko)

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