terça-feira, 22 de novembro de 2016


Em uma entrevista longa e reveladora, Moore fez declarações desagradáveis sobre a indústria de quadrinhos, artistas e até sobre seus próprios fãs. Uma demonstração de um estado psicológico extremamente perturbardo. A entrevista gerou muitos comentários em sites americanos como o Bleeding Cool e o Comics Alliance, e pode ser lida aqui na íntegra em inglês. Abaixo um resumo e alguns trechos comentados:

De início Moore fala sobre o contrato que ele e Dave Gibbons fizeram com DC Comics na época da publicação de Watchmen, segundo ele, a empresa se mostrava aberta aos direitos dos criadores de quadrinhos como nunca antes e isso fez com que eles confiassem e assinassem o contrato sem ler devidamente. O que os animou foi a proposta de que quando Watchmen deixasse de ser publicado, os direitos seriam revertidos aos criadores:

"Eu não tinha razão para não confiar naquelas pessoas. Todos eles foram muito, muito amigáveis. Eles pareciam encantados com a quantidade de quadrinhos extras que estavam vendendo. Pensei: 'Bem, eles podem ver que eu estou proporcionando a eles uma enorme quantidade de boa publicidade, e eu estou garantindo uma boa grana pra eles. Então, se eles são mesmo homens de negócios sérios, é claro que não vão se trair e nos sacanear de maneira alguma.' E agora eu vejo o contrato de Watchmen denovo, que naquela época nós obviamente não lemos direito...
[...]
Pouco depois, ficou claro que Watchmen nunca deixaria de ser publicado, nesse momento, é lógico, eu fiquei muito chateado porque mentiram pra nós."

Aqui você vê que Alan Moore fez um contrato, ele assinou embaixo, então não pode reclamar. Que ele foi ingênuo é obvio, que ele foi sacaneado é mais claro ainda, mas a culpa é, em grande parte, dele mesmo!

Vamos pegar, por exemplo, Neil Gaiman, ele também fez um contrato com DC, e por que não tá reclamando? Porque ele soube fazer um contrato, foi inteligente! Se a DC quiser usar os personagens de Sandman, tem que pedir autorização de Gaiman, se quiser fazer um filme de Sandman, tem que pedir autorização dele também! Isso é ser inteligente, ler contratos, não ser ingênuo e acreditar em empresários que tem como missão ganhar dinheiro a qualquer custo!

E outra coisa, Alan Moore foi pago, e poucos sabem, continua sendo!

"Você ainda recebe pagamentos de direitos autorais pelas vendas dos encadernados de Watchmen e pelo filme?"

"Sim. O trabalho é meu. Eu ainda recebo direitos, não é muita coisa, esta dentro do nível que a indústria oferecia nos anos 1980. Sim, eu ainda recebo um pouquinho do dinheiro que eu considero merecer por tudo isso. Mas não é pelo dinheiro, é pelo princípio."

É mesmo?? uhauauhauha Recebe dinheiro da DC Comics, Alan Moore?

Então, ele começa a desdenhar de toda a produção de quadrinhos que se seguiu a Watchmen e ignora o que veio antes:

"eles nos ofereceram Watchmen porque tinham visto o que eu poderia fazer com seus quadrinhos de linha. Eles perceberam que eu era capaz de levar os quadrinhos até uma nova área na qual eles ainda não tinham se aventurado antes. Então, eles nos ofereceram Watchmen e deu muito certo para eles. Derepente eles podiam chamar todos os seus quadrinhos de "Graphic Novels", dizer que agora eles estavam seriamente comprometidos com uma forma inovadora de quadrinhos, que poderia produzir obras de arte e literatura. Mas essa nunca foi a preocupação deles, sempre teve a ver com comércio. E quando eles perceberam que teriam uma oportunidade com este material, então eles pularam em cima com os dois pés..."

Novamente um absurdo, não foi Watchmen que elevou os quadrinhos americanos a condição de "arte" e "literatura". Quadrinhistas underground já faziam isso desde a década de 1960, Will Eisner e Harvey Pekar desde a década de 70, sem falar em Art Spiegelman na revista Raw, no início dos anos 1980. E no ramo dos quadrinhos mainstream, de super-herói, Dennis O'neil e Neal Adams deram inicio a uma abordagem mais adulta dos super-heróis em 1971, com a história "Snowbirds Don't Fly" em que Ricardito se viciava em drogas. Frank Miller já fazia Demolidor e Batman com toques experimentais antes de Watchmen. Essa onda veio dos anos setenta, quando os novos escritores de quadrinhos se deixaram influenciar pela cultura hippie, os quadrinhos underground de Crumb e cia e o jornalismo gonzo. Não foi iniciada por Alan Moore.

Em seguida, mais uma ofensa:

"Eles deram início a toda uma linha de quadrinhos que parece ter sido desenvolvida essencialmente como uma "Fazendinha do Alan Moore" onde eu acredito que os primeiros colaboradores da Vertigo de Karen Berger eram devidamente orientados, pelo menos de forma implícita, a fazer um trabalho parecido com o meu. Naquela época isso não me incomodava, só achava uma pena eles não terem feito nada original."

Ah, então toda a linha Vertigo foi copiada do trabalho de Alan Moore? E como ficam Jamie Delano, Neil Gaiman, Garth Ennis, Peter Milligan, Grant Morrison? Nenhum desses vale nada? Todos eles eram empregados da "fazendinha Alan Moore"? Quanto desprezo pelo trabalho alheio!

Em seguida Moore conta como se desentendeu com DC Comics, mas isso já é um caso conhecido, o que ele conta de novo é a sua briga com Dave Gibbons. Quando o filme de Watchmen foi feito, Gibbons aceitou participar da produção, Moore se negou até a receber o dinheiro. Gibbons aceitou receber a parte que cabia aos dois. Moore pediu a ele que ligasse quando isso acontecesse, pois ele queria receber um agradecimento pois David Lloyd teria recebido o dinheiro pelo filme V de Vingança e nem sequer ligou pra agradecer.

Mas Gibbons recebeu a grana e não ligou, Moore ficou puto, e quando Gibbons finalmente ligou, foi pra falar sobre o projeto de novas HQs de Watchmen. Na época, DC comics pretendia devolver os direitos a Alan Moore, casso ele aceitasse que fosse feito uma sequencia. Gibbons falava como um intermediário da DC, que pretendia ainda pagar 250 mil dólares para os dois para que eles ficassem como consultores do projeto. Moore ficou furioso com Gibbons e mostrou sua verdadeira face:

"Eu disse que desde Watchmen, eu realmente não acreditava que existisse algum talento na indústria de quadrinhos mainstream. Se existisse, eles provavelmente, em algum momento nos últimos 20, 25 anos, talvez tivessem aparecido com algo que fosse tão bom quanto Watchmen, ou tão memorável e marcante, após já ter sido mostrado como fazer. Eu tava mesmo puto, mas disse coisas que ainda acredito. E esse foi o fim da minha amizade com Dave Gibbons"

Ah, então nada foi feito de bom antes de Watchmen nem depois de Watchmen também?!! E Neil Gaiman, Grant Morrison, Michael Straczynski, Brian Michael Bendis, Frank Miller, Brian K. Vaughan, Brian Wood, Brian Azzarello, Mark Millar, Mark Waid, Bill Willingham, Warren Ellis, não valem nada? Por acaso Alan Moore é o único que presta?

Em seguida a paranoia toma conta, Moore afiram que não só Before Watchmen, mas também o reboot da DC são parte de uma pressão da Warner Bros para que a empresa dê lucros enormes, senão ela deixará de existir.

"quando eu disse que não daria permissão para os prelúdios, DC imediatamente anunciou que faria uma empolgante reformulação de seus personagens clássicos, o que eu suponho que tenha sido o Plano B deles. Eles estavam sob pressão, provavelmente da Warner. O novo Watchmen parecia que não ia dar certo, então eles decidiram mudar seus personagens radicalmente.  Imagino que esse Plano B não funcionou bem, ou não tão bem quanto eles queriam. Então eles voltaram ao Plano A, Before Watchmen."

Ah, então quer dizer que a indústria de quadrinhos gira em torno de Alan Moore e o reboot da DC não deu certo e eles vão fazer Before Watchmen como a última cartada antes da Warner despedir todo mundo e fechar o escritório? Sinceramente, Alan Moore acha que o mundo gira em torno dele! Mas ele não tem se informado, porque o reboot parece ter dado certo, como eu já mostrei aqui!

Depois ele desdenha dos artistas de Before Watchmen:

"É coisa minha, mas em relação a eles, qual o termo? Não quero chamar de "criadores", os empregados da indústria que estão trabalhando nessa série, eu só ouvi falar de três deles e eu certamente não quero ver o trabalho deles. E é improvável que eu veja porque eu não leio mais quadrinhos e eles nunca vão fazer nada fora dos quadrinhos. Eu acho que é uma vergonha. Eu percebo porque as pessoas estão envolvidas com isso, eles nunca criaram nada de original ou se o fizeram, não era bom o suficiente para tirar a DC do buraco em que ta afundada.  Entendo porque eles aceitaram se envolver nesse projeto. Será provavelmente a única chance que eles terão em suas carreiras de se envolverem em um projeto que alguém de fora do meio de quadrinhos possa ouvir falar. Entendo como isso pode ser atraente. Eu acho que não faria isso porque entrar pra história como uma pessoa que fez a tosca continuação de Watchmen, bem, isso não é pra mim. Mas é claro que todo mundo faz suas próprias escolhas. Então, é lógico que não quero ter nada a ver com qualquer uma dessas pessoas que estão envolvidas com esse projeto em qualquer momento no futuro, mas isso não é uma grande perda."

"Se a DC quer se sujar em público e matar a reputação de uma série de artistas e escritores que de outra maneira seriam talvez meio-decentes, eu não vou tentar impedir. Eu vou me divertir e vou ter prazer com isso de qualquer maneira."

Ele não respeita ninguém, é ai que chega ao momento mais mesquinho de sua entrevista, quando o ódio toma conta de sua mente e ele diminui o valor dos seus próprios leitores, as pessoas que são as verdadeiras responsáveis por ele não ser mais um limpador de privadas ainda hoje. Veja que vergonha:

"Com relação aos leitores, devo dizer que se você é um leitor que deseja apenas que seu personagem preferido esteja sempre em destaque e não dá a mínima pro seus criadores, então você na verdade não é o tipo de leitor que eu procurava. Tenho um repeito enorme pelo meu público. Nas ocasiões em que os encontro, eles me parecem inteligentes e escrupulosos, assim gosto de pensar. Se as pessoas querem ir lá e comprar esses prelúdios de Watchmen, elas estariam me fazendo um enorme favor se simplesmente parassem de comprar meus outros gibis. Gosto de ter bons pensamentos com relação ao meu público, de pensar o quanto sou sortudo por ter uma audiência que seja tão inteligente e tenha tanta moral quanto a minha tem.

Então, eu não gostaria de pensar que meus leitores seriam do tipo de fãs de quadrinhos que estão apenas ansiosos por transformações do seu personagem preferido e que pensam "Sim, bem, Jack Kirby, ele não é tão bom na verdade, não é?" E, "Quem se importa se ele criou quase tudo em que a Marvel se baseia?" E diga-se, Jack Kirby, eu afirmo, criou. Eu não estou nem dizendo "Lee e Kirby." Do meu ponto de vista, parece que Jack fez a maior parte do trabalho.

O tipo de leitor que esta disposto a fechar os olhos quando as pessoas que criaram a sua leitura favorita, os seus personagens preferidos, são marginalizadas ou deixadas de lado, não é o tipo de leitor que eu quero. Mesmo que isso signifique uma queda enorme nas vendas dos meus outros trabalhos, eu prefiro assim. Quero dizer, eu não tenho como policiar isso, lógico, mas eu espero que você não queira comprar um livro sabendo que o autor realmente desprezou você por completo. Então eu espero que isso seja suficiente."

Nunca vi um escritor desprezar tanto os seus leitores. Mas pensando bem, já esperava isso, Alan Moore não respeita nem seus antigos parceiros, seus colegas de trabalho, por que vai respeitar os leitores? E ele tem razão? Claro que não!

O leitor não tem nada a ver com o fato de ele ter sido burro na hora de assinar seu contrato! Não temos nada a ver com o fato de Siegel e Shuster terem vendido Superman por uma mixaria, não temos nada a ver com o fato de Stan Lee ter sido mais esperto do que Jack Kirby e até hoje a família do falecido brigar com Marvel Comics.

Se eu vou a uma padaria da esquina comprar pão, não importa se o padeiro esta brigando com a esposa dele pelo dinheiro e com os empregados pra decidir quem faz o pão, eu vou lá comprar o pão, não tenho nada a ver com a vida deles. Nós não compramos Alan Moore, nós compramos quadrinhos! O responsável por Alan Moore é ele mesmo, não tenho nada a ver com o fato de DC Comics lhe dever direitos. Isso é problema dele! O público não é culpado disso e não pode ser desprezado por isso.

Da mesma forma, Alan Moore não tem nada a ver com minha vida, ele não pode me cobrar posições morais e intelectuais. Quem cobra esse tipo de coisa são os pastores, padres, religiosos. Eles cobram posturas morais e intelectuais de seus seguidores. O que Alan Moore quer, afinal de contas? Leitores ou um séquito de adoradores, uma seita religiosa em seu nome? Nunca na minha vida vi posição tão ridícula da parte de um escritor.

Dai ele repete o que já disse inúmeras vezes, que não esta trabalhando com personagens alheios em Liga Extraordinária, que o que ele faz lá não é o mesmo que querem fazer com os personagens de Watchmen e que a indústria de quadrinhos sobrevive há 25 anos copiando as ideias dele! Que hoje os executivos vigiam as séries e por isso ninguém faz nada legal, nada radical.

Mas ainda tem coisa pior. Ele diz que gostou do Constantine de Brian Azzarello, é um louco! Deve ser porque Constantine era estuprado na cadeia e depois estuprado por um cachorro. Como Grant Morrison já disse, Alan Moore é obcecado por estupro! Esse é o futuro que ele quer para os quadrinhos? Com certeza é isso que ele chama de radical. Não é o que eu acharia melhor.

E o pior de tudo, ofende os fãs de super-heróis:

"Esses personagens foram criados para as crianças de dez anos da década de 1940. A única razão possível para que eles ainda continuem atraentes para um público na casa dos 40, 50 anos do início do século XXI é a nostalgia em seu sentido original, uma doença. É tipo um laivo de retardamento que atinge pessoas que são incapazes de abandonar esses ícones que os conecta a sua infância. É de se suspeitar que a razão disso seja criar um substituto para a coragem. Batalhas e lutas que eles não tem coragem pra enfrentar em suas próprias vidas podem ser canalizadas para esses personagens fictícios, que sempre se levantam contra as injustiças e sempre apoiam os perdedores. Eles sempre marcham contra os tiranos, mas não façam isso no mundo real porque é só um gibi de super-heróis!"

É mesmo, e qual a diferença entre ter Superman como ídolo e cultuar um "deus-cobra"? Sem comentários pra tamanha estupidez.

Depois dessa manifestação de desprezo pelos fãs, ele confesa seu verdadeiro problema: frustração!

"Em um mundo que poderia ter sido, eu poderia ter continuado feliz a trabalhar com a indústria de quadrinhos americanos.

Sei de uma maneira que eles poderiam ter resolvido a sua cronologia. Eu poderia te-los livrado de todos os seus problemas. Teria sido muito simples. Mas, como eu disse, eles infelizmente me alienaram. Mas eles fizeram isso com todo mundo que foi radicalmente criativo. Jack Kirby e todas as pessoas que genuinamente criaram as coisas, todos se ferraram. Só os funcionários da empresa que criaram coisas sem originalidade que se deram bem. Foram os Len Wein da vida que fizeram tudo certinho, tudo que a empresa lhes disse pra fazer, que se deram bem."

Ah, então no fim da entrevista ele mostra a razão de tudo: ele ficou frustrado porque não é mais convidado para a festa, foi defenestrado por não saber se comportar e hoje chora as suas mágoas odiando todo mundo . No fundo, ele queria fazer parte de tudo, viver um pouco como os retardados que não se livram da infância, mas ele é amargurado demais pra isso. Por esse motivo, é um frustrado, e destila seu ódio pra quem quiser ouvir.

Alan Moore sem dúvida é um bom escritor, mas como pessoa, chega a ser mesquinho, se não fosse por nós que compramos o trabalho dele, ele ainda seria um limpador de privadas, frentista de posto de gasolina ou estaria cortando carne de bois no matadouro. Mas ele não se lembra disso. Suas declarações, como demonstrei aqui, estão amplamente equivocadas. Espero que os fãs sejam lúcidos pra refletir sobre isso.



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