domingo, 11 de dezembro de 2016

Batman é o mais popular dos personagens da DC Comics e tem uma longa tradição no cinema: até hoje já estrelou nada menos do que nove longametragens, sem contar duas séries cinematográficas de 15 episódios curtos, exibidos nos anos 1940, quando não existia televisão e esse tipo de material era exibido nas matinês dos cinemas.
Entretanto, por muito pouco a conta não era maior. Vários projetos de filmes do Batman foram pensados ao longo dos anos, mas não foram executados. Conheça aqui os quase-filmes mais famosos do homem-morcego e veja as enrascadas que Bruce Wayne escapou - algumas tão terríveis quanto um ataque do Coringa (ou Bane?) - e outros que poderiam ter sido legais.
BATMAN, DE TOM MANKIEWICZ, 1982
Esta poderia ser a aparência de Batman em um filme feito em 1982.
O roteirista Tom Mankiewcz era bastante famoso nos anos 1970, especialmente por assinar três filmes de James Bond - 007 - Os Diamantes São Eternos; 007 - Viva e Deixe Morrer; 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro - e é o responsável pelo roteiro final de Superman - O Filme eSuperman II, de 1978 e 1980, respectivamente. (Infelizmente, pelas regras rígidas de Hollywood, ele não é creditado nestes, porque já havia outros nomes relacionados; mas ganhou o crédito de "consultor de roteiro", embora na prática tenha reescrito o texto e seja dele a versão final).
Assim, em 1982, Mankiewicz tentou vender à Warner Bros. a ideia de um filme do Batman, seguindo a mesma linha e tom de Superman. Seria uma história de origem, com a morte dos pais de Bruce Wayne, o início de sua carreira como vigilante, sua união ao Robin e a luta contra o Coringa. Teria tom ameno, leve e divertido, tal o filme do homem de aço. Mas o estúdio não se interessou.
BATMAN 3, DE TIM BURTON, 1993
A Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer poderia voltar em Batman 3.
Após o sucesso de Batman - O Filme eBatman - O Retorno, em 1989 e 1992, era certo que o diretor Tim Burton continuaria a cargo da franquia multimilionária do homem-morcego. E ele bem que tentou. Em 1993, o diretor começou a trabalhar em Batman 3, que não está certo se chegou a ter um título. Burton iria colocar Batman contra o Charada, que se tornaria um poderoso chefe do crime; a Mulher-Gato estaria de volta e o Robin seria introduzido; Michael Keaton (Bruce Wayne) e Michelle Pfeiffer (Selina Kyle) estariam de volta, juntamente com Rene Russo como o interesse romântico de Bruce Wayne. Contudo, a Warner estava cada vez mais "assustada" com as ideias malucas e sórdidas do diretor e começou a haver tensão. O estúdio queria que o novo filme fosse mais "leve" e menos sombrio do que os dois anteriores e tinha a seu favor o fato de que O Retorno - apesar de ser adorado pela crítica e trazer a magistral interpretação de Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato - não foi tão bem nas bilheterias como seu antecessor, que fora um dos maiores sucessos de bilheteria da história, o filme que mais rápido chegou aos US$ 100 milhões em bilheteria na época e até hoje é uma das maiores bilheterias de filmes de super-heróis. A gota d'água, dizem, foi que o diretor contratou Marlon Wayans (ele mesmo, dos irmãos Wayans, de Todo Mundo em Pânico, As Branquelas e G.I. Joe) para viver o Robin. O estúdio não queria um Robin negro.
Burton foi tirado do projeto e foi substituído por Joel Schumacher. Keaton e Pfeiffer se recusaram a continuar; Val Kilmer (Top Gun, The Doors) foi contratado para ser o Batman e Rene Russo foi considerada velha demais para  fazer par com ele. Schumacher manteve a ideia do Charada e da introdução do Robin (papel que ficou com Chris O'Donnell, de Tomates Verdes Fritos) e lançou Batman Eternamenteem 1995.
BATMAN TRIUMPHANT, DE JOEL SCHUMACHER, 1998
Que tal Madonna como Arlequina?
Após terminar Batman e Robin, em 1997, o diretor Joel Schumacher já começou a trabalhar em sua sequência, que seria Batman Triumphant, novamente com George Clooney e Chris O'Donnell nos papeis de Bruce Wayne e Dick Greyson e uma trama até interessante: o vilão seria o Espantalho, que usaria sua toxina do medo no Batman e este alucinaria com uma volta do Coringa, seu maior medo; ao mesmo tempo, a filha do Coringa apareceria para se vingar de seu pai e se tornaria a Arlequina. Schumacher já estava em negociações com os atores para ocupar os cargos: Jack Nicholson voltaria para viver o Coringa nas cenas de alucinação; Nicolas Cage seria o Espantalho e Madonna (isso mesmo) seria a Arlequina.
Mas o fracasso - de público e crítica - de Batman e Robin foi tão grande que a Warner desistiu do projeto. E começou a pensar em outras alternativas.
BATMAN - THE DARKNIGHT, DE JOEL SCHUMACHER, 1999
The Darknight seria um filme de terror. Ok, mas Joel Schumacher?
Por incrível que pareça, a Warner ainda deixou o diretor Joel Schumacher oficialmente à frente da franquia do homem-morcego. Como Triumphant não foi adiante, Schumacher fez esta outra proposta: Darknight traria de volta o clima sombrio e soturno dos filmes de Tim Burton, e seria um filme de terror, mas manteria a continuidade, com George Clooney, Chris O'Donnell e tudo. A história era, de certo modo, derivada de TriunphantBruce Wayne se aposenta de ser o Batman (por achar que não instila mais o medo nos criminosos) e Dick Greyson iria para a Universidade de Gotham e lá conheceria o psiquiatra Jonathan Crane, que se tornaria o Espantalho; ao se sentir prejudicado pelo colega Kirk Langstrom, Crane o submeteria a um experimento que transformaria Langstrom no Morcego-Humano; as aparições do monstro em Gotham fariam as pessoas pensarem que se tratava de uma volta sangrenta do Batman, o que obrigaria Wayne a retornar suas atividades para limpar seu nome. Nicolas Cage ainda seria o Espantalho e o estúdio queria Terance Stamp (Superman II, O Procurado) como Langstrom.
Não era uma história má, mas poderia virar um agouro terrível nas mãos de Schumacher. E parece que a Warner sabia disso, tanto que cancelou o projeto também.
BATMAN - THE DARK KNIGHT'S RETURNS, DE DARREN ARONOFSKY, 2000
Clint Eastwood seria o Batman de 55 anos num futuro caótico.
Com as notícias de que a franquia do Batman estava empancada na Warner, vários cineastas começaram a apresentar propostas por conta própria, visando vender um projeto. O diretor cult Darren Aronofsky (de Pi, Requiém para um Sonho, A Árvore da Vida e Cisne Negro) se ofereceu para fazer um filme adaptando Batman - O Cavaleiro das Trevas, a graphic novel de Frank Miller lançada em 1986, que mostra um futuro distópico no qual um Bruce Wayne de 55 anos, aposentado à décadas, resolve voltar à ativa para combater uma escalada de crimes em Gotham City. Para dar peso ao seu projeto, Aronofsky tinha a ideia de ter Clint Eastwood como o velho Bruce Wayne.
A Warner até gostou da ideia, mas começou a achar que era melhor voltar a franquia do Batman para o passado, não para o futuro.
BATMAN - YEAR ONE, DE DARREN ARONOFSKY, 2000
Uma versão ainda mais radical de Batman: Ano Um.
Ironicamente, foi Joel Schumacher quem teve a ideia de fazer um filme de origem do Batman, um reboot da franquia. A Warner gostou da ideia, mas definitivamente, não queria Schumacher nele. Assim, o estúdio convidou Darren Aronofsky para, em vez de fazer um Batman velho, fazer um Batman jovem, em início de carreira. O cineasta topou e trouxe Frank Miller para o projeto. Os dois adaptariam o arco Batman: Ano Um, escrito pelo próprio Miller, em 1987, mas transformando-o em um daqueles filmes violentos dos anos 1970, como Taxi Driver e Conspiração FrançaChristian Bale foi o escolhido para ser Bruce Wayne. A história, contudo, não era fiel ao material dos quadrinhos: Bruce Wayne terminaria nas ruas após a morte dos pais e viveria em cortiços até decidir combater a máfia de Gotham de um modo radical; só no fim do filme ele assumiria sua herança e a Wayne Enterprises.
A ideia era fazer um filme de baixo orçamento (o que era possível, tendo em vista que Batman não tem superpoderes) e extremamente carregado, mas o estúdio começou a se preocupar quando Miller e Aronofsky decidiram fazê-lo "proibido para menores de 18 anos" e esfriou o projeto. Os irmãos Wachowski (da trilogia Matrix) chegaram a reescrever o roteiro, para ser algo mais acessível, mas no fim das contas, Aronofsky desistiu. Porém, a ideia de Ano Um continuou nos corredores da Warner. E não esqueça: Batman - Ano Um virou um desenho animado em longametragem excelente!
BATMAN BEYOND, DE PAUL DINI E BOAZ YAKIN, 2001
O desenho Batman Beyond poderia ser um bom filme?
Outro cineasta que fez uma proposta ao estúdio e foi bem recebido foi Boaz Yakin: ele sugeriu adaptar o desenho animado Batman Beyond, que mostra outro futuro distópico no qual um velho Bruce Wayne treina o jovem Terry McGinniss para ser um novo Batman. A Warner contratou o criador do desenho, Paul Dini, para escrever o roteiro, mas o projeto terminou engavetado.
SUPERMAN VS. BATMAN, DE WOLFGANG PETERSEN, 2002
Superman e Batman no fanfilm.
Enquanto buscava um filme para o Batman, a Warner também desenvolvia um novo filme do Superman. Após o abortado projeto de Tim Burton - que quase fez um homem de aço interpretado por Nicolas Cage (ele de novo!) - havia um projeto chamado Superman - Flyby escrito por J.J. Abrams e dirigido por McG, que também não foi para frente. Assim, alguém teve a ideia maluca de fazer um filme unindo os dois heróisAndrew Kevin Walker e Akiva Goldsman escreveram um roteiro e Wolfgang Petersen (de Tróia e Mar em Fúria) seria o diretor. Na história, Batman estava aposentado e Bruce Wayne estava para se casar com Elizabeth MillerClark Kent era seu amigo e seria o padrinho de casamento, enquanto estava passando por um divórcio com Lois Lane e estava meio exilado em Smallville, vivendo com Lana Lang; mas o Coringa escapava do Asilo Arkham e matava a esposa de Wayne na lua de mel; então, ele voltava à ação como Batman disposto a se vingar; Superman tentava impedir e os dois saiam em conflito, até descobrirem que Lex Luthor estava por trás de tudo e a dupla se unia para detê-lo. Jude Law era o mais cotado para ser o Superman; e Colin Farrell para ser o Batman. Christian Bale também chegou perto de assumir o papel do Batman.
O projeto começou a ficar arriscado e a Warner tinha medo de queimar as duas franquias de uma vez só. Então, cancelou tudo. Mas alguns fãs adoraram a ideia e produziram um famoso fan film - aqueles filmes realizados com baixo orçamento e sem autorização - chamado Superman and Batman. Na verdade, o filme foi gravado apenas como um trailer, mas é bem decente.
BATMAN BEGINS, DE JOSS WHEDON, 2003
Joss Whedon: quase fez Batman.
Após o cancelamento de Superman vs. Batman, a Warner decidiu definitivamente fazer um filme de origem do Batman. O diretor Joss Whedon (de Os Vingadoresfoi convidado para assumir a missão e deu início a Batman Begins, que teria uma história na qual Bruce Wayne se torna o Batman e combate o EspantalhoChristian Bale continuava como o preferido para ser Bruce Wayne; embora outros atores estivessem no páreo, como Colin Farrell, Guy Pearce e Jake Gyllenhaal.
Mas não houve acertos o suficiente entre o diretor e o estúdio e, então, Christopher Nolan foi chamado para assumir o projeto, nascendo a trilogia do Batman que conhecemos. Whedon foi transferido para um filme da Mulher-Maravilha que também não chegou a ser produzido, indo fazer o megassucesso Os Vingadores na concorrente Marvel.
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E então, qual desses filmes você gostaria de assistir?

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