quinta-feira, 23 de março de 2017

E mostrando grande fôlego M NIght Shiamalan sai do ostracismo e para isto precisou apenas voltar a suas origens: filmes autorais e de baixo orçamento.  E, ainda mais impressionante, foram necessários apenas dois filmes: “A Visita” de 2015, em que ele gastou apenas US $ 5 milhões e teve bilheteria de US $ 65 milhões!. O outro é “Fragmentado” que custou US $ 9 milhões de dólares e gerou uma bilheteria de mais de US $ 140 milhões!! Ou seja: sinal verde para qualquer projeto que ele queira e há grande chance de ser “Corpo Fechado 2”.

Mas o filme “Fragmentado” é realmente tão bom?

Em primeiro lugar temos de deixar claro que NÃO SE TRATA DE UM FILME DE TERROR como alguns blogs e sites estão ‘vendendo’. Ele se enquadra melhor no gênero suspense psicológico. Um BOM suspense.

O que provavelmente esta causando toda esta renda e tantos comentários a respeito do filme é o seu final. Não o confronto final entre vitima e algoz, mas sim a ultima cena. Quando você não sabe qual é (e aposto que muitos sairão do cinema e contarão, incluindo ai alguns blogs) ela é impactante e provavelmente causou grande reboliço no cinema, semelhante ao que aconteceu no final do primeiro “Jogos Mortais” quando ‘Jigsaw’ se levanta do chão do banheiro. Só vou dizer que aparece um personagem inesperado e que não faz parte do filme.

O filme é na realidade um veiculo para James McAvoy demonstrar toda sua versatilidade como ator, afinal ele interpreta Kevin Wendell Crumb um homem que sofre de TDI – Transtorno Dissociativo de Identidade e possui uma personalidade dividida em 23 pessoas. Naturalmente ao assistir ao filme você não conhecerá as 23 pessoas diferentes que habitam o corpo do pobre Kevin, mas pelos menos 8 poderão ser discernidas.

Inteligentemente o diretor explora algumas situações em que o espectador consegue vislumbrar a mudança de uma personalidade para outra. Em uma cena em especial temos de parabenizar McAvoy pela rápida troca de um personagem para outro com a cena fixa em seu rosto, com certeza existe muito talento no ator e este filme prova isto. Ah, aqui um detalhe: algumas mudanças são químicas e físicas.

Na história uma das personalidades se torna dominante, uma personalidade que a certa altura você descobre que havia sido expulsa pelas outras junto com uma outra chamada Patrícia. O motivo é uma crença que os dois têm, de que algum dia apareceria uma besta chamada “Horda” (desnecessário dizer que se a ‘Horda’ aparecesse as coisas ficariam violentas).

Senhor Denis
Assim no inicio do filme esta personalidade, o Sr Denis, rapta três adolescentes num estacionamento de shopping e as leva para o cativeiro num lugar desconhecido. No cativeiro as meninas ficam sabendo sobre as múltiplas personalidades de seu raptor, incluindo um garoto de nove anos que ironicamente é quem traz a tona Denis e Patrícia (a personalidade dominante anterior era Barry um estilista).

As meninas precisam descobrir como escapar com a ajuda de uma das personalidades. Ao mesmo tempo as demais personalidades presas no corpo de Kevin tentam avisar a Doutora Karen Fletcher (Betty Buckley) do eminente perigo que as meninas enfrentam. A Doutora esta tentando equilibrar as personalidades para que uma se fixe e estava obtendo sucesso com Barry.

Casey
Na hora do rapto ficamos conhecendo Casey Cook (Anya Taylor-Joy) que é a personagem que mais incomoda o espectador durante o filme. Ela parece assistir tudo ‘de fora’, como se não estivesse ali. Suas reações são totalmente inesperadas porque não existem! Ele simplesmente fica olhando as coisas acontecerem. No cativeiro demonstra ser a mais provável sobrevivente, primeiro identificando qual das personalidades de Kevin poderia ajudá-la e por ter as ideias que salvaram uma das meninas de um provável estupro e uma quase fuga.

Casey é a personagem que tem o final mais marcante (em minha opinião) e é provável que muitos nem notaram ou não entenderam. Durante o filme ficamos sabendo por que ela parece estar ‘ausente’, em pouquíssimas cenas da personagem criança o diretor conta sua história e numa parte que envolve uma caçada com o pai e um “tio” acontece uma das cenas mais chocantes (que EU achei, não por motivos de sangue, mas por outro tipo de violência).

Casey como é óbvio desde o inicio do filme teria um papel especial no filme e não poderia deixar de ser outro que não fosse o de enfrentar o vilão maior “Horda”, mas o que as pessoas talvez não tenham parado para pensar (se é que perceberam) é que o final de Casey não é o final de sua prisão, de seu cativeiro......


Enfim, o filme é muito interessante. Merece todos estes milhões? Talvez não, porque não apresenta nada novo de fato. É bem dirigido, possui boas interpretações e um final dentro do esperado. Como disse antes, o que impressionou a toda esta gente, não foi o filme em si, mas sim sua cena final, que acaba transportando o filme para um universo bem maior......
Dra Karen Fletcher
Patricia

Hendrick ( 9 anos)

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