quarta-feira, 5 de abril de 2017

Há algumas semanas anunciamos aqui no A&C que a Netflix iria disponibilizar em 31 de março a primeira temporada da série “13 Reasons Why” (“13 Porquês/Razões/Motivos”). Uma produção de Selena Gomes (ela mesmo a ex de Beaber) em parceria com a Netflix, baseada no livro de Asher Jay de mesmo nome, batizado no Brasil como “13 Porquês”.

A série tem como publico alvo os adolescentes, e aqui acredito que muitos ao lerem: “publico alvo os adolescentes" imediatamente ‘torceram seus narizes’ (muitas vezes com razão), mas me arrisco a dizer que ao lado de “Riverdale” (que também já falamos aqui), “13 Reasons Why” é um presente para esta faixa de publico e também para aqueles que como eu já são ‘adolescentes há mais tempo’.

A diferença em ’13 reasons’ é a abordagem, e embora tenha todos aqueles personagens padrões de séries sobre ‘high school’ (o tímido considerado esquisito, a menina nova na escola, o filho/filha de alguma autoridade, o inevitável time de atletas babacas, pais ausentes, pais que não sabem nada, pais que acham que sabem tudo, diretores e professores que estão mais preocupados em evitar processos e que às vezes ‘olham para o outro lado’), ela consegue sair do lugar comum ao abordar um assunto.

Assim assuntos atuais como bullying (que muitas vezes achamos se tratar apenas de violência física, mas que também pode ser mais sutil e em alguns momentos não intencional. E que as reações mudam de pessoa para pessoa), sexualidade, suicídio, solidão e romance, são abordados de maneira natural e absolutamente dentro do contexto da história.

Em alguns momentos com certeza pensaremos que tudo poderia ter sido resolvido com apenas uma conversa, com a pessoa envolvida se abrindo com alguém. Sim, de fato poderia ser simples assim, mas volte sua mente para quando tinha aquela idade: era fácil falar sobre seus sentimentos com alguém? Existia alguém que realmente quisesse ouvir? Agora volte para o presente. Hoje! Você consegue se abrir plenamente com alguém? Existe alguém que queira realmente ouvir? Sim, é isto que a série acaba fazendo com quem assisti: obriga a pessoa a refletir um pouco sobre seu passado e até sobre sua vida presente.

Ao vermos a facilidade com que os filhos mentem a seus pais. Como fingem que esta tudo correndo bem. Como escondem seus reais sentimentos com relação a alguém. Como às vezes são mesquinhos e egoístas apenas por medo de serem rejeitados pelo grupo, ou pior, tornar-se um alvo para seu grupo e outros, paramos para pensar quão bem conhecemos nossos filhos (aqueles que os tem) e também quantas vezes agimos exatamente do mesmo modo.

E os pais da série? Bem diferente das demais séries, os pais aqui são mais próximos da realidade. Porém, falham em suas tentativas de ‘educar os filhos da melhor maneira possível’. Nos é mostrado claramente as dificuldades dos pais em conseguir extrair alguma informação dos filhos. Como os pais reais, em alguns casos, imediatamente procuram medicamentos para ajudá-los (aos filhos). Ao mesmo tempo vemos pais que só pensam neles mesmos. Pais que os filhos devem trocar de lugar, agindo como se eles fossem os pais. Pais autoritários. Pais irredutíveis. Pais gays (o que acaba gerando problemas para a filha que enfrenta duvidas sobre sua sexualidade).

Mas o que precisa ser destacado é a devastação sofrida pelos pais da menina que se suicida (e que da origem a série). E parabenizamos os atores Kate Walsh e Brian d’Arcy James (Sr e Sra Baker)por sua interpretação sofrida e intensa. Diante disto também ficamos pensando se a menina sequer considerou o efeito do que ela estava por fazer em seus pais, aliás, se qualquer suicida da vida real chega a cogitar isto.


“13 Reasons Why” começa com o Liberty High School em choque devido ao suicídio da jovem Hannah Baker (Katherine Longford), mas uma das coisas que se nota é que por traz do choque também parece haver uma explosão de violência a ocorrer. E isto fica claro quando um jovem acusa o personagem Clay Jansen (Dylan Minette, de “As Vantagens de ser Invisível” – excelente no papel) de “não ser inocente, apesar dela ter dito”. O jovem (e  nós) não entendemos nada, porém com o passar dos episódios tudo fica claro. Ao acompanharmos o retorno do jovem para casa, testemunhamos quando encontra em sua porta uma caixa endereçada a ele. Dentro existem algumas fitas cassete numeradas indicando a ordem a ser ouvida, a partir daí a série começa a te prender e te deixar curioso sobre que revelações virão a seguir e quem estará envolvido.

Isto porque a primeira fita explica que quem gravou todas elas foi a própria Hannah Baker e que nelas haviam 13 razões ou 13 pessoas que a levaram a cometer o suicídio, e que ao terminar de ouvir a pessoa que recebeu (e que é um dos motivos, por isto esta recebendo) deve passar para a próxima pessoa citada na fita. Um detalhe importante é que Clay não foi o primeiro a receber as fitas,,,,

E assim ouvindo as fitas toda a verdade que fica oculta nos falsos sorrisos e cordialismo entre as pessoas dos grupos são expostas. Pessoas aparentemente ‘legais’ não o são e até daquelas que menos se espera vem algum tipo de bulliyng. Também fica claro que tudo começou com uma mentira...... Uma mentira para impressionar um grupo ou para manter sua fama.

É fantástico ver o efeito devastador da exposição que as fitas fazem da pessoa envolvida nela mesma e em quem ouve. Infelizmente só assisti até o oitavo episódio ainda restam 5 para o final da primeira temporada. Mas por tudo que já vi, esta é uma série que merece ser vista, que merece ser continuada. E reconheçamos: esta cada vez mais difícil achar uma série que nos faça pensar assim....

Como ficou claro temos mais do que "13 Reasons Why" para assistir a série...

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