sexta-feira, 2 de junho de 2017

por Lady Hortencia

O Espírito da Verdade faz parte da coleção “Os Maiores Heróis da Terra” que nos brindou também com: Superman, paz na Terra; Batman, Guerra ao Crime e Shazam! O poder da Esperança, LJA: Origens Secretas e LJA: Liberdade e Justiça. Toda a coleção deve ser analisada dentro de um contexto histórico relevante, fim dos anos 90 e início do novo milênio. O mundo havia superado a Guerra Fria e via agora seu maior desafio:  o terrorismo e a desigualdade social.

O que aconteceria se você fosse uma deusa que assume a difícil missão  de ajudar  os humanos na busca pela paz?


Esta é a proposta da graphic novel O Espírito da Verdade, compreender a difícil missão da Mulher-Maravilha  enquanto embaixadora de Themyscira em um mundo cercado por brutalidade e medo, seus atos nobres são vistos com total desconfiança. Com uma visita a sua origem clássica, Dini nos mostra  caminho trilhado pela princesa para se tornar a heroína mais icônica de todos os tempos, desde suas dúvidas, a conflitos e desilusões.

O choque de realidade entre as diversas culturas da Terra e os costumes das Amazonas, além da violência gratuita perpetrada nas guerras constantes, fazem com que Diana frequentemente se questione acerca do seu papel e das decisões que tomou. Verdade é que o conhecimento e a sabedoria de Hipólita e das amazonas, se tornaram insuficiente para ajudar a filha, pois há muito as amazonas se exilaram em sua ilha sem acompanhar os retrocessos e evoluções do mundo dos homens.



Decidida a encontra um meio de cumprir sua missão, Diana procura a ajuda do único na Terra que poderia compreender sua situação: Clark Kent, Superman. Com  ajudo do azulão ela começa a se envolver melhor com os humanos e inclusive passa a viver disfarçada entre eles para tentar conceber o mundo sobre a ótica de um humano comum.



As dúvidas da protagonista envolvem o leitor, pois pela primeira vez até então há humanidade na heroína e também beleza em sua construção. As tramas em que arremessavam a personagem até então eram extremamente sem graça e desgastantes, não condizentes com sua posição entre os três pilares da editora. Verdade é que nessa fase, a princesa era desinteressante para os fãs de quadrinhos, já havia se tornado um ícone pop e se sustentava por si só, através dos símbolos que carregava: feminismo, igualdade, verdade e justiça. Mesmo que suas histórias não possuíssem nenhum dos dois.



Daí o motivo que faz dessa história um divisor de águas na imagem da heroína, a humanidade que é colocada em sua essência transmite otimismo e esperança aos leitores, bem como o realismo do roteiro e da arte inconfundível de Alex Ross.

Estamos diante de uma obra adequada ao seu contexto, fica clara a vontade de Dini e Ross de transmitirem os anseios da sociedade da época:  alguém que lutasse pelos excluídos e oprimidos. Ao fim da história, após todas as dúvidas, estamos diante de uma protagonista mais humana e ciente de seu papel.


Apesar das dificuldades, Diana se propõe a continuar sua luta por justiça e verdade, mesmo que tenha que se distanciar do seu papel de embaixadora de Themyscira. E finalmente começa a entender as necessidades da Terra em ter alguém que se preocupe com os excluídos e desafortunados.

É indispensável a todo fã de quadrinhos, pois nos ensina o que é de fato um super-herói.  Além de apresentar uma visão única acerca do ícone que é a Mulher-Maravilha.

Gostou? Curta nossa fanpage!

0 comentários :