sábado, 8 de julho de 2017


Será Homem-Aranha: De Volta ao Lar um filme digno para apresentar mais uma vez o Cabeça de Teia ao público?

Meses após os acontecimentos em Capitão América: Guerra Civil, Peter Parker tenta equilibrar sua vida como estudante do Queens, enquanto luta contra o crime disfarçado de Homem-Aranha.

O filme foi dirigido e co-escrito por Jon Watts. Este é apenas seu terceiro longa-metragem, anteriormente dirigiu um filme de terror independente chamado Clown e um filme com o Kevin Bacon chamado Cop Car. Não vi nenhum deles, mas admito que fiquei bastante interessado. Algo que ele fez de diferente e que gostei muito foi a abordagem mais minimalista do protagonista. 

Primeiro, ele tinha de esclarecer uma coisa: o público já conhece a história do Homem-Aranha. O Sam Raimi iniciou uma boa história de origem em 2002, embora que em 2012, apareceu, digamos, um remake pobre. Desta vez, o Peter Parker não precisa de ser apresentado. Ele já é o Homem-Aranha que todos conhecemos, o Tio Ben já não precisa ser mencionado (apenas numa frase do filme já esclarece o que aconteceu com ele) e, desde o Capitão América: Guerra Civil, o personagem demonstra uma enorme ambição em se tornar um Vingador. É bom ver que ainda há diretores que confiam no público e que não enchem os seus filmes com diálogos justificativos ou expositivos.

Segundo, depois das primeiras versões deste personagem, que eram bem mais dramáticas, o tom é mais leve. O humor é bem Marvel, especialmente quando se tem um protagonista tão carismático e divertido como este e, claro, há uma atmosfera consequente muito mais acolhedora desta vez.

Jon Watts fez um ótimo uso de takes mais longos em cenas casuais e mesmo em algumas de ação, ao contrário dos restantes filmes da Marvel. Com certeza, não é uma realização completamente distinta, aliás, depressa percebemos que estamos vendo um "produto Marvel Studios", mas gostei de algumas mudanças que foram tomadas. Tanto tecnicamente como em relação à história, um filme solar e com câmera bem aberta. A trilha sonora tem uma seleção de músicas muito boas, nota-se que é um filme para jovens que gostam destes personagens, mas também para pessoal mais velho que conhece o Homem-Aranha já há muitos anos. 
A seguir spoilers, para ler passe o mouse: A grande virada da história acaba sendo também uma grande homenagem ao Steve Ditko, na sua clássica história da edição #33 de The Amazing Spider-man. [clique para ver a capa da edição e trecho da hitória referida no longa: http://4.bp.blogspot.com/-0TvC8swMffc/UUvilGEAVJI/AAAAAAAAAgY/PJDSim9t2KE/s1600/asm-33-cover-and-inside-by-ditko.jpg] <<link com spoilers
  
Fim dos spoilers, pode continuar lendo...

Por falar na ação, é um filme mais minimalista que os anteriores do MCU. Há CGI e explosões, como era de esperar, mas é algo em menor escala do que em Vingadores. A fotografia é bem habitual, é bonita, é bem azul, a cidade, inclusive a Torre dos Vingadores, mas já vimos isto antes, não é muito distinto das outras produções da Marvel Studios só que agora tudo bem mais realçado.

Sobre o elenco: Tom Holland está espetacular aqui! Ele é disparado ambos o Homem-Aranha e o Peter Parker mais cartoonescos do cinema. Com isto, não quero dizer que é a melhor versão já feita. Ele está ótimo? Está, sem dúvida. Ele é tudo o que os comic fans vão querer ver. Ele é engraçado, ágil, bem-disposto, despreocupado e, às vezes, acelerado demais. 

A minha versão favorita continua a ser a do Tobey Maguire. Foi uma abordagem mais dramática e que desiludiu muita gente, mas eu não sou um comic lover, por isso não era a versão “tradicional” que me interessava mas algo próximo das concepções clássicas do personagem pelas mãos de Lee e Ditko. Agora, o Tom Holland merece muitas palmas.



Só quem viu (e adorou) o Birdman, de 2014, sabe o quão interessante é ver o Michael Keaton vestido de pássaro aprontando das suas. Ao mesmo tempo, vemos como seria um Batman sem grana, mas ainda colocando seu intelecto para funcionar mesmo seja para, digamos, um ganho fácil. 

Aliás, é uma performance excelente e que revela como é possível criar um bom vilão da Marvel, além do Loki. O Abutre é um ótimo antagonista, principalmente graças à sua motivação, que é diferente e inesperada. Talvez o Abutre não esteja ao mesmo nível do Loki, o que era difícil, mas há um carisma inegável e uma presença arrebatadora. É um daqueles vilões que adoramos quando finalmente tem um papo cara a cara com herói e sabe ter personalidade.



O Ned, interpretado pelo Jacob Batalon, é um dos personagens mais engraçados da Marvel até hoje! As reações dele são impagáveis e o melhor humor do filme veio dele. Ele e Tom Holland têm uma química excelente e ambos convencem perfeitamente como dois estudantes extremamente inteligentes e até um pouco geeks, talvez mais o Ned do que o Peter.


A Marisa Tomei é uma boa atriz. Ela é querida, simpática e convidativa, mas é uma Tia May com potencial desperdiçado. Era oportunidade de mostrar mais desta versão moderna e jovem Tia May, mas aparece pouco, tendo cenas pontuais e bem divertidas. 

 A Zendaya surpreendeu-me muito positivamente. É uma personagem interessante e muito engraçada. A sua ironia e desprezo pelos outros é bastante divertido.



Como você notará bem no filme, Michelle foi reservada para mais detalhes em uma futura sequência. Afinal, a personagem é uma bela homenagem para Allison Reynolds de Clube dos Cinco.

Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow e Jon Favreau voltam a interpretar os seus papéis do MCU. Eles continuam ótimos e estão de forma pontuais na trama, o que é normal e apropriado, visto que aqui o grande espaço é para o Amigo da Vizinhança.



Laura Harrier e Tony Revolori interpretam os outros tradicionais personagens das comédias de John Hughes, respectivamente a grande paixão do protagonista e o valentão da turma. A personagem Liz evita os esteriótipos de patricinha e tem um grande propósito para desfecho da trama. E Tony Revolori também sai da figura do valentão clássico para compor um personagem mais patético.  

Não podemos esquecer que, claro, personagem mais famoso de Hughes faz sua participação no filme!

 A cena do meio dos créditos é ok, mas a última é … fenomenal! É muito simples, algumas pessoas não vão achar graça nenhuma, mas a piada está na sua intenção. É provavelmente a melhor cena pós-créditos que a Marvel já fez.

O meu filme preferido continua sendo Homem-Aranha 2, de 2004. Mas se Homem-Aranha: De Volta ao Lar não estiver ao mesmo nível do primeiro Homem-Aranha, de 2002 … ele está perto. É um rumo mais que eficiente para conduzir o personagem na sua nova jornada, num novo universo.

Nota: 8

Gostou? Curta nossa fanpage!

0 comentários :