O site Omega Underground somou os pontos e determinou: a atriz Halston Sage (de The Orville), de 24 anos, será a mutante Cristal em X-Men – Fênix Negra.
halston sageO nome da atriz já tinha aparecido antes em um lista de possíveis candidatas ao papel há tempos rumorizado a aparecer no filme. Dias atrás, o boato ganhou força quando ele foi vista em Montreal, no Canadá, onde ocorrem as filmagens de Fênix Negra, indo em um concerto de Hans Zimmer (compositor da trilha sonora de filmes como A Trilogia Cavaleiro das Trevas e Superman – O Homem de Aço), acompanhada por Tye Sheridan (Ciclope), Sophia Turner (Jean Grey), Alexandra Shipp(Tempestade) e Nicholas Hoult (Fera). Já seria coincidência demais, mas então, um dos dublês do filme publicou uma self no Instagram, na qual fotos do elenco aparecem num painel ao fundo e Sage está lá em destaque.

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Os X-Men em Apocalipse.

Com isso, se confirma que os X-Men terão alguns membros a mais em Fênix Negra, adicionando a Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Mercúrio, Fera, Mística e Professor X, reunidos ao fim do antecessor Apocalipse.
dazzler 2017 takeCristal – Dazzler em inglês – é uma personagem da Marvel Comics, criada para um projeto especial que nunca se concretizou entre a editora e a gravadora Casablanca Records, em 1979. A ideia era proporcionar uma “cantora fictícia” de sucesso que, ao mesmo tempo que teria canções lançadas no mercado e histórias em quadrinhos como um tipo de super-heroína. Também haveria um filme com atores, para a qual o então Editor-Chefe Jim Shooter até escreveu um tratamento de roteiro. A personagem em si – retratada em um visual estilo Discotéque – foi criada por um comitê editorial da Marvel, mas especialmente, pelo então editor de licenciamento Tom DeFalco (e futuro escritor de sucesso da editora, bem como seu Editor-Chefe no fim dos anos 1980) e o desenhista John Romita Jr. Inclusive, o artista primeiramente retratou a personagem como uma afroamericana, baseado na cantora Grace Jones, mas a gravadora queria uma caucasiana para o projeto e assim foi feito.

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A estreia de Cristal, em Uncanny X-Men 130. Arte de John Byrne.

Contudo, como a ideia não foi para frente – em parte porque a moda da Disco Music impulsionada por Embalos de Sábado à Noite passou rápido – mas a Marvel decidiu lançar a personagem assim mesmo: batizada de Alison Blaire, Cristal estreou em Uncanny X-Men 130, de 1980, escrita por Chris Claremont e desenhada por John Byrne. Na época, os mutantes eram a revista de maior sucesso da editora e quiseram que a nova heroína estreassem logo em contato com a maior audiência possível. Curiosamente, sua estreia se deu em meio à Saga da Fênix Negra, na qual, enquanto buscam um vilão Scott Summers (o Ciclope) e Jean Grey (a Fênix)entram em uma boate na qual Cristal é a apresentação musical. Sem saber ainda que a Fênix vinha sendo manipulada mentalmente pelo Mestre Mental – que fazia Grey pensar que, de vez em quando, “viaja para o passado” onde incorporava uma antepassada dela própria e se apaixonava por Sir Jason Wyndgare (o próprio vilão). A paixão de Grey por Wyndgare era tomada como uma metáfora da heroína abraçando seu lado negro e se tornando paulatinamente a Fênix Negra. Inclusive, é no concerto de Cristal que – após outro ataque sutil do vilão – Jean e Jason trocam seu primeiro beijo diante de um atônito Scott que não sabe o que está acontecendo.
Já nessa primeira aparição, fica claro que Cristal é uma mutante com a capacidade de transformar som em luz, o que ela utilizava para incrementar sua performance musical, mas logo descobriria que poderia usar como arma também, ao disparar rajadas contussivas de luz. Com o tempo, ela aprendeu a transformar a luz em laser, o que a tornou bem mais poderosa.
Depois da estreia, Cristal continuou fazendo um pequeno giro de participações especiais por outras revistas estrelares, como The Avengers (Vingadores), Marvel Team Up (Homem-Aranha) e até a minissérie e evento The Contest of Champions, na qual vários heróis lutavam entre si.

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A primeira edição de Dazzler. Pintura de Bob Larkin.

Além disso, Cristal estrelou sua própria revistaDazzler, que estreou em março de 1981, comandada por seus criadores, Tom DeFalco e John Romita Jr. Na trama, enquanto tenta decolar sua carreira musical, Alison Blaire termina sempre envolta nas confusões do universo Marvel, encontrando heróis como o Homem-Aranha e Vingadores, combatendo vilões clássicos da editora, como o Dr. Destino e mesmos heróis como o Incrível Hulk! Romita Jr. desenhou apenas as três primeiras ediçõese passou o bastão para Frank Springer, que se manteria por muito tempo na série. Já DeFalco também ficou pouco tempo, saindo depois do sexto número e cedendo lugar ao editor Danny Fingeroth (que seria mais tarde editor da revista Amazing Spider-Man, do Homem-Aranha).

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A bela arte de Bill Sienkiewicz para Dazzler 28. 

Fingeroth e Springer mantiveram certo sucesso na série de Cristal por um tempo, mas as vendas começaram a cair depois de um tempo. Para dar uma levantada no título, mudaram Cristal para Los Angeles (de fato onde estava grande parte da indústria musical dos EUA), mas a coisa não deu grande resultado. A Marvel chegou a colocar o aclamado ilustrador Bill Sienkiewicz para fazer capas fabulosas, mas ainda assim, o título foi obrigado a se tornar bimestral.

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Novo visual de Cristal em Dazzler 39, de 1985.

A partir da edição 38, Dazzler passou ao comando de Archie Goodwyn e Paul Chadwick, que inclusive criaram um visual “mais moderno” para Cristal, mas não deu resultados rápidos o suficiente. Dazzler foi cancelada no número 42, de 1986, mas é preciso ressaltar que uma personagem novata, feminina, ter mantido uma revista própria por cinco anos é um grande feito, ainda mais no concorridíssimo mercado da década de 1980, quando as vendas eram estratosféricas, muito mais do que hoje.

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Cristal (esq.) entre os novos recrutas dos X-Men, em 1987. Arte de Mark Silvestri.

Mesmo assim, a personagem não ficou fora do ar por muito tempo: após outra série de participações especiais em revistas da Marvel (dentre as quais dos Novos Mutantes), Alison Blaire foi envolvida em uma batalha dos X-Men contra os Carrascos e terminou aceitando ingressar no time, em Uncanny X-Men 214, de fevereiro de 1987. Ela permaneceu como membro do time por um tempo, até a edição 248, de 1989, ou seja, na grande fase de Chris Claremont e Mark Silvestriem arcos como A Queda dos Mutantes e Inferno, retornando algum tempo depois, para um arco final em X-Men 09 a 11, de 1992, no fim da fase de Jim Lee à frente dos mutantes.
Depois de então, Cristal permaneceu a maior parte dos anos 1990 e 2000totalmente esquecida, apenas com algumas rápidas aparições.
A personagem tem grande apelo visual e pode ser usada com beleza em um filme. Será que Fênix Negra irá mimetizar sua participação na saga original das HQs? É bem possível.