domingo, 26 de novembro de 2017

10:37



Eu poderia começar esse texto falando especificamente de Liga da Justiça. Sim, parece que esse é o assunto preferido na mídia, visto que não há mais nada de importante ocorrendo. Mas eu preferi começar de uma maneira diferente: te convidando a enxergar minha perspectiva.

Todo mundo concorda que ao final de Titanic, Jack cabia sim naquela maldita porta de madeira, correto? Entretanto, por uma escolha, Jack morreu congelado enquanto Rose ficou sobre uma porta ENORME de madeira, e isso trouxe uma dramaticidade a mais para o filme, que tinha acabado de passar pelo seu auge narrativo. Essa foi uma escolha do diretor/roteirista/produtor... independente, foi uma ESCOLHA.

Talvez em nossas fanfics nós tenhamos algumas outras opções. Na minha, Jack sobrevive, abandona Rose grávida e rouba o coração do oceano para viver uma vida de marajá.

Mas, o que isso tem a ver com LJ? Calma, eu chego lá.

Vocês enxergam alguém criticando a decisão de James Cameron?

Alguém critica a decisão do Cuarón porque em Gravidade ele escolheu que uma astronauta sem conhecimento nenhum da língua chinesa/russa/tcheca... conseguisse pilotar uma nave de volta para a terra e sobrevivido INTACTA ao pior pouso da história?

Ou então o Inãrritu, ao escolher deixar o personagem do DiCaprio sobreviver com a garganta esfacelada por um urso em pleno inverno em O regresso?

E chegamos em Liga da Justiça. E aqui eu te convido a pensar, por favor. 

A Marvel está na moda. Ela é um modelo de sucesso: estabeleceu um padrão – alto – de rentabilidade, que movimenta a indústria, dá retorno financeiro a todos os envolvidos e ainda retroalimenta a mídia. O que isso significa? Grana. TUDO ligado à Marvel hoje dá grana. Não há prejuízo na Marvel, por pior que sejam Punho de Ferro e Inumanos. Logo, está na moda falar BEM da Marvel.

Mesmo que esse bem seja incoerente com a posição de um crítico e coloque em xeque a sua credibilidade. Mesmo que essa rentabilidade não seja sempre sinônimo de qualidade.

A Fox começou seu universo estendido – que até então não era considerado isso, uma vez que ninguém apostava realmente em sucesso – com X-men. Deu certo, continuou com seu universo. Mas nunca recebeu os louros que a Marvel recebe. A Fox é um estúdio, a Marvel, um império. Aí veio X-men 3 e a coisa desandou. Tudo o que veio após foi crucificado. Escolhas (olha elas aqui de novo) foram a base para as críticas mais pessoais possíveis: “Bryan Singer é péssimo”, “estragou os mutantes”, “só podia ser gay mesmo”, “o que esperar de um cara acusado de pedofilia”. E sim, eu lí/ouvi isso de gente que diz apreciar a sétima arte. Até que veio Deadpool, um sopro fresco no mundo do “Cinema de super herói”, mas que também nunca recebeu os louros que a Marvel recebe. Logan recuperou a credibilidade dos mutantes mas “ainda bem que faz parte de um universo paralelo”.
Fez 3 quartetos: não acertou em nenhum.

A Universal começou seu breve universo com Hulk e, embora mais tenha errado que acertado, nunca recebeu o mesmo reconhecimento por ter apresentado um Hulk verdadeiro nas telonas – Sim, porque em O incrível Hulk não temos um gigante esmeralda de pênis avantajado fazendo piadas. Temos o Hulk. A Universal é um individualista, a Marvel um agregador.

A Sony começou seu universo estendido com o Sam Raimi e, embora o Aracnídeo tenha acertado no 1º e 2º, nunca foi o grande sucesso do planeta terra. Críticos esnobavam a “cara de bunda” do Tobey Maguire ou a insossa Mary Jane Watson de Kirsten Dunst. Aí veio HA 3, que jogou a pá de cal na franquia. Até o reboot mais breve da história. E olha que legal: a gente estava enxergando o Peter Parker: desengonçado, falastrão, deslocado da sociedade. E narrativamente fiel, com a melhor Gwen Stacy do Universo. Que química, que diálogos. Mas daí veio o Espetacular HA 2 e trouxe o Electro. O Rino. O Duente Verde crackudo. A morte da Gwen. E um embaralhado de defeitos que sempre superaram todas as qualidades da franquia. A Sony tenta, a Marvel faz.

E chegamos na DC. A DC começou seu universo de forma nada ortodoxa: dura, impactante, séria. A DC não se abriu às cores. Não queria laranja, amarelo, violeta. Preferiu o marrom, o cinza, o bordô, o preto. Diálogos longos, closes em expressões faciais e estrutura narrativa causa/efeito. A DC escolheu Zack Snyder, o cara mais visualmente fetichista ao lado do Del Toro. O cara que acertou com Watchmen, olha que privilégio. E daí veio a reação: “o filme é realista demais”, “Superman sob efeito de xanax”, “DC é muito sombria”, “Não é um filme divertido”.

Sim, porque para a mídia diversão SEMPRE deve ter a ver com graça. E o pior: Snyder ESCOLHEU fazer o Superman matar. Mesmo que seja um vilão. Mesmo que no calor do momento, pra salvar inocentes, ele não tenha pensado em outra opção. Mesmo que nos quadrinhos o Superman já tenha matado. Morte não é engraçada (só em Deadpool). Se não é engraçado, é um filme sério. E super heróis não servem para filmes sérios (só Deadpool e GdG. Preconceito come solto).

Daí a DC, numa grande sacada resolve fazer BvS. E erra pela segunda vez. Traz um filme pesado, um soco na boca em forma de filme. Um filme difícil, confuso, sem apelo cômico. Mas o único filme até o momento a lidar com grandes perguntas: 1. Como o mundo lidaria com a existência desses seres? 2. Os governos iriam aceitar a liberdade de um ser que ajudou a destruir uma cidade e quase o planeta junto? 3. Como a moral e ética do Clark foram formadas para ele ser o Super que é? 4. Como o mundo encara sendo o seu salvador o sua mais perigosa ameaça?

Mas não colou: TUDO foi mais importante que as questões filosóficas/psicológicas/emocionais que o filme traz: a edição mal feita, o roteiro corrido, o vilão de CGI mal feito (que sempre recebeu mais críticas que o Pantera Negra sem peso de Guerra Civil).

Note que aqui a imagem DC/Warner estava desgastada: manteve o Snyder, juntou o Morcegão + Superman e de brinde trouxe a Mulher Maravilha num filme raso. Essa que veio para salvar o universo estendido. Sim, aquela mesma magrela que todos execraram quando foi escolhida para o papel. Conseguiu apagar o gosto amargo do Esquadrão Suicida, que sofreu mudanças e se transformou num rascunho do que foi planejado para agradar a crítica, que induz o público a consumir o produto. Veja: o filme fez dinheiro, mas jogou a credibilidade do estúdio no lixo.

E agora temos Liga da Justiça. O que o filme é? Um arremedo de roteiro, com uma edição/montagem confusa, piadas a cada cena e um vilão genérico. Vamos ver tópico por tópico?

Arremedo de roteiro: artefatos poderosos (caixas maternas/jóias do infinito) são procuradas para a dominação do planeta/universo. Os heróis devem se unir (Liga/Vingadores+GdG) para derrotar o vilão. DC: Check. Marvel: Check

Edição/Montagem confusas: cenas desconexas (BvS e LJ/Thor Ragnarok e HdF3). DC: check. Marvel: check.

Piadas a cada Cena: Liga da Justiça: Check. Todos os filmes da Marvel, incluindo Doutor estranho que todos apostavam ser o filme mais sério: Check.

Vilão genérico: DC Check. Marvel check, exceto Loki, que acabou virando um anti herói.

Veja: as características da Marvel são equívocos. As da DC são desgraças anunciadas. E isso pode ser visto em qualquer local que faça crítica, reviews, comentários. Não é ilusão ou psicose: tudo da Marvel é aceitável. Dos outros estúdios, motivo de chacota.

Faz bem falar bem da Marvel. Dá grana, status e audiência. As demais já estão enterradas em bosta, assim segue-se a corrente e fala-se mais mal. E quem fala bem não tem equidade com as críticas negativas.

O Universo DC tem N defeitos. O pior, na minha visão, é não ser coeso. Ele é truncado a ponto de não saber o que considerar no próximo filme do que aconteceu no anterior. Duvido que no filme do Aquaman todo diálogo vá ser feito dentro de uma bolha de ar. E mesmo assim incluíram isso no filme, sem considerar o que o Wan está fazendo no filme dele. Mas era o universo mais original, até Liga da justiça. Mas não podemos valorizar originalidade: Superman quebrou um pescoço, Batman é gordo e a Mulher Maravilha tem só duas expressões. É nisso que tenho que me prender. O Flash é um fanfarrão, e isso é proibido. Ele não podia ser introduzido assim. Mas OK se for o Starlord, derrotando um vilão dançando e emitindo raios de ursinhos carinhosos. O Batman não podia ter mudado tanto de um filme pra outro, mas é super natural o Thor ter virado um piadista semi nu nato de um filme pro outro.

Vejam o filme se quiserem. Se não quiserem, não assistam. Se achar que deve, critique. Se achar que deve, elogie. Só não finja que não existe um ranço, uma pré disposição à metralhar o universo DC porque existe sim. A criança não ganhou seu doce, então naturalmente ela vai espernear. A criança é a critica especializada que detona a comédia "além da medida" em Liga da Justiça e elogia a de Dr. Estranho (piadas mais deslocadas impossível) e Thor RagnaRIR (um escracho só). Não seja igual um crítico de um site de ovos que elogia o roteiro da franquia Resident Evil e acaba com o roteiro de BvS. Que apoia a comédia de Thor e se irrita com as piadas do Flash, dizendo que não combina com o filme.

Seja original nas suas opiniões, já que não estão dando o direito da DC, da Fox e da Sony de serem originais nos cinemas.



PS.: O Peter Parker de Espetacular Homem Aranha era MUITO MAIS Peter Parker do que o de “De volta ao Lar”. Mas, infelizmente, não tinha participação da Marvel...

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